Em Lisboa têm-se registado uma degradação muito sensível na recolha dos resíduos urbanos. O problema parece decorrer de problemas e alterações organizacionais nos serviços da Câmara Municipal mas falta também repensar a toda a estratégia da autarquia.

Portugal não está a cumprir nenhuma das metas a que se obrigou no que respeita à taxa de reciclagem de embalagens. A situação será ainda mais grave quando as nossas metas forem assumidas em 2025 e 2030. É assim preciso acelerar no cumprimento dos objectivos de economia circular do país.

Dos cinco milhões de resíduos urbanos que produzimos todos os anos, um destes milhões são embalagens, dos restantes quatro o quadro mais grave refere-se aos resíduos orgânicos e aos bioresíduos domésticos que não são reciclados e que actualmente enchem os nossos aterros.

É preciso repensar a recolha porta a porta em Lisboa. Indo buscar, por exemplo, embalagens para a casa das pessoas que não se podem deslocar até aos ecopontos. A rede de ecopontos de Lisboa precisa de ser expandida e permitir a adição deste tipo se resíduos e penalizar efectivamente que coloca sistemática resíduos à porta ou nos contentores indiferenciados: Actualmente as Juntas de Freguesia limitam-se a recolher estes resíduos (os quais, quase sempre, aparecem exactamente nos mesmos locais há décadas) e não desencadeiam nenhum processo de contra-ordenação nem encaminhamento para a Polícia Municipal. Igualmente, para aumentar as taxas de reciclagem há que implementar separação onde ela – de todo – não existe: ao nível das papeleiras.

Portugal é um dos maiores consumidores mundiais de bebidas em garrafas de vidro colocando por ano mais de 400 mil toneladas de vidro, das quais apenas metade são recuperadas. A despesa em matéria-prima importada é absurda e indica uma tremenda ineficiência do sistema. É preciso recuperar os sistemas de recuperação de taras que já funcionaram no passado e focar no consumo de vidro em espaços comerciais onde se realizam as maiores perdas redesenhando a rede de ecopontos e impondo coimas aos incumpridores sistemáticos.

É igualmente preciso digitalizar a recolha de resíduos, promover a separação de resíduos biodegradáveis nas habitações particulares e incorporar alguma gamificação e processos de recompensa e que apresenta, com transparência, o pode cada um de nós fazer para poupar e ajudar o ambiente com cada pequeno gesto. Por fim, é preciso criar um sistema integrado de gestão, totalmente informatizado, transparente e com dados abertos que permita aos cidadãos e que inclua dados de todos os municípios portugueses criando uma visão integrada e em tempo real de toda a situação.