Embora sejam semelhantes e interligados, esses conceitos, que estão em destaque nas notícias, têm definições distintas; compreenda o significado de cada um.

A produção e o consumo de alimentos encontram-se no cerne da discussão sobre o futuro da humanidade. Especialmente diante da projeção desafiadora de que, em 2050, a demanda global por alimentos aumentará mais de 50%, ao mesmo tempo em que, devido às mudanças climáticas, as principais colheitas diminuirão no mesmo período.

No debate sobre como resolver essa equação desafiadora, termos como segurança alimentar ou sistemas alimentares são mencionados constantemente. No entanto, conceitos como esses nem sempre são facilmente compreendidos e, muitas vezes, se confundem devido aos nomes semelhantes.


Segurança alimentar

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), segurança alimentar e nutricional (SAN) ocorre quando todas as pessoas têm acesso regular a alimentos de qualidade, seguros, nutritivos, em quantidade suficiente, que satisfaçam suas necessidades e preferências alimentares para uma vida saudável e ativa.


Este é um tema multissetorial, que engloba muito mais do que a produção agrícola e alimentar isoladamente. Inclui aspectos como distribuição, preparação, processamento, armazenamento, poder de compra das famílias, entre outros.

Também abrange a necessidade de um abastecimento contínuo de alimentos, considerando situações imprevistas como falhas nas colheitas e instabilidade econômica e política, e está relacionado tanto à produção doméstica de alimentos quanto à capacidade de importar para atender às demandas da população.

Por tudo isso, garantir a segurança alimentar e nutricional é uma questão não só de indivíduos e famílias, mas de nações e de toda a comunidade internacional.

Insegurança alimentar

Este é um tema multissetorial, que engloba muito mais do que a produção agrícola e alimentar isoladamente. Inclui aspectos como distribuição, preparação, processamento, armazenamento, poder de compra das famílias, entre outros.

Também abrange a necessidade de um abastecimento contínuo de alimentos, considerando situações imprevistas como falhas nas colheitas e instabilidade econômica e política, e está relacionado tanto à produção doméstica de alimentos quanto à capacidade de importar para atender às demandas da população.

Por tudo isso, garantir a segurança alimentar e nutricional é uma questão não só de indivíduos e famílias, mas de nações e de toda a comunidade internacional.


Segurança de alimentos


Originada da expressão em inglês “Food Safety”, a segurança de alimentos envolve a garantia da qualidade dos alimentos comercializados. Isso significa assegurar que sejam saudáveis, isentos de contaminantes químicos, biológicos e físicos, e que não causem danos à saúde do consumidor quando ingeridos.

O conceito abrange desde as etapas de produção até o consumo e está relacionado não apenas a alimentos, mas também a bebidas, ingredientes, matérias-primas, aditivos, materiais em contato com alimentos, rotulagem e tudo mais que integra a cadeia de suprimentos.

Trata-se de uma prioridade de saúde pública em escala global, uma vez que o consumo de alimentos inseguros representa uma ameaça ao bem-estar de todos. De acordo com a estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), 420 mil pessoas morrem a cada ano em todo o mundo devido à ingestão de alimentos contaminados, e 600 milhões adoecem por esse motivo.

Além disso, segundo o Banco Mundial, as doenças transmitidas por alimentos custam US$ 7,4 milhões por ano em perda de produtividade para a sociedade. Essa situação sobrecarrega os sistemas de saúde e reduz o desenvolvimento, incluindo perda de confiança no turismo seguro e no sistema de comercialização.

Sistema alimentar

Um complexo conjunto de atividades, o sistema alimentar abrange todos os processos, atores e infraestrutura envolvidos na alimentação da população, desde o campo até o consumo final dos indivíduos.

Muito além da produção de alimentos, refere-se também a uma série de outros elementos interligados, como o uso de recursos naturais, leis e regulamentações, processamento, distribuição, governança, sustentabilidade (ambiental, social e econômica), preparo, consumo e até a gestão dos resíduos gerados por cada uma dessas atividades.

Apesar de ainda não ser essa a realidade na prática, segundo a definição da FAO, em um mundo ideal, todos os sistemas alimentares seriam “resistentes, inclusivos e sustentáveis, produzindo alimentos seguros e nutritivos suficientes para atender às necessidades de todos para uma vida ativa e saudável”.

Fonte: Exame